Tenho um causo pra contar.
Serei breve, prometo!
Decidi me separar em Abril do ano passado, escolhi ficar em
Teresópolis, para que as crianças tivessem livre acesso ao pai e se mantivessem
na escola escolhida por nós.
Entre um Abril e outro, procurei incansavelmente alguma casa
para alugar e não conseguia. Alguns até diziam que a gente não tinha se
separado coisa nenhuma, que era crise de casal. Foram 376 dias de procura. A família
de um aluno do pai das crianças, me ofereceu a casa do caseiro no sitio deles.
Um paraíso na serra.
Rio caudaloso, quintal enorme, arvores pra subir, piscina
natural, horta orgânica, ovos caipiras e churrasqueira na minha varanda.
Aceitei, mas a casa tinha alguns senões. Difícil acesso e principalmente não
havia internet. Mesmo assim, eu aceitei o desafio, pois precisava dar uma
virada, não aguentava mais!
2 meses se passaram e meus parcos recursos se acabaram. Não
havia feito uma única venda no site. Decidida, fechei o ateliê. Consegui uma
entrevista na área de vendas num resort que temos no bairro, na noite anterior
à entrevista, uma amiga esteve em minha casa, contei meus plano. Iria vender
maquinários, materiais seriam doados pra escola, fornecedores seriam avisados,
e fim, nova temporada. Ela ficou desolada. Em vão tentava me mostrar a beleza
do meu trabalho. Eu friamente dizia, que precisava viver.
A entrevista foi ótima. Receberia treinamento de ponta na
área de neuromarketing, plano de saúde pros meus filhos e salario. Um filme se
passava na minha cabeça. Eu só conseguia falar do meu sonho de atelierista, do
como comecei, do como caminhei, do quanto era apaixonada pelo meu trabalho.
Tentava me conter, mas era difícil. Quando me foi revelado o valor do salário,
meu mundo caiu. Não era possível! Eu, poderia produzir aquele valor com meu
trabalho e ainda ter meus filhos por perto. Tentava me convencer de que era possível
passar uma temporada trabalhando ali, até me estabilizar... Sai desnorteada de
lá. Na porta liguei pra uma grande amiga Saaanta, a Eliz, enquanto conversávamos
parei diante de um portão, exatamente em frente à portaria do resort. A casa estava
vazia. No dia d minha mudança eu havia visto essa casa. Queria morar nessa rua!
Queria morar nessa casa. O papo rendia. Meu delírio aumentava. Que casa fofa! Tem
uma garagem. Aqui podia ser a lojinha do ateliê, bem em frente ao resort. Parece
grande e seca, parece ... Desliguei o telefone e bati no vizinho. A casa estava
vazia.
Peguei o endereço do dono da casa e bati lá. Entrei na casa, enorme, com
quartos suficientes, piso em madeira, laje, super arejada, confortável e ainda
por cima um segunda sala nos fundos com banheiro. Meu coração acelerou.
Perfeita pra mim. Fechei o aluguel. Sem nenhum centavo no bolso e muita
esperança no coração.
Cá estou! Meu ateliê tem um cantinho só dele e a garagem
está esperando minhas mãos agirem. Estou pronta!
Compartilho essa história apenas para que saibam o porque de
eu estar fazendo essa rifa. Não sei quantas precisarei fazer, mas estou
disposta a fazer quantas forem necessárias.
Agradeço do fundo do meu coração cada contribuição que
chegar, será muito bem utilizada. Gratidão pela escuta <3
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